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5 DANÇAS é formada por 5 peças solo apresentadas em sequência, entre intervalos. Com duração aproximada de 2 horas e meia, é um convite para que o público mergulhe na história da dança de 5 dançarinas – nascidas entre 1960 e 1969 - com atuação profissional ininterrupta de 40 anos, entre dançar e dar aulas de dança.

 

As 5 peças, co-peças, circunscritas no mesmo espaço apresentam uma variedade, a partir da diferença, de modos de viver a dança na cena. Entram no jogo de montagem e exibição das peças assuntos como habilidade, expressão, pedagogia, intimidade e auto dança. 

 

Cintia Napoli, Cinthia Kunifas, Rosemeri Rocha, Marila Velloso e Mônica Infante entram na cena como documentos vivos de suas trajetórias de corpo. Juntas, estas mulheres constroem a história da dança em Curitiba e no Brasil, abrindo espaços para que as gerações de artistas subsequentes possam agir.

 

Atentas aos sinais, ao atual e às sincronicidades, desenvolvem planos coreográficos de 15 a 35 minutos. 5 DANÇAS é sobre a ação de acender, iluminar e brilhar. Peças que produzem o não esquecimento e proliferam histórias em corpos vivos diante de corpos vivos. As danças são microcorrentes articuladas. O contexto é o alimento das peças. 

 

A partir da vivência no corpo de diversas energias vitais e suas circulações e dinamismos, compartilha publicamente questões atuais sobre a duração de uma vida pública como artistas da dança, expondo aspectos pedagógicos, poéticos e políticos. Um bailado de materialidades. 5 movidas. 

 

É preciso começar pelo amor.  

Com uma construção direta, as 5 peças convidam o público a fazer uma viagem imersiva em diferentes modos de viver a dança na cena. São peças femininas construídas por corpos arquivos que geram danças híbridas.

 

Fernando de Proença, idealizador, diretor e dramaturgo das peças solo, articula possibilidades de convidar as dançarinas e o público a viverem conjuntamente uma experiência de compartilhamento historiográfico das vidas destas mulheres da dança a partir de perguntas correspondentes aos contextos, vias e pensamentos.

 

Além das apresentações das peças solo, que devem ser fruídas em conjunto – o público retira os 5 ingressos de uma vez na bilheteria do teatro para uma sessão sequenciada de apresentações – o projeto também oferece para a cidade ações de compartilhamento  de questões relacionadas à criação das peças como uma "conversa sem fim"  realizada pela artista e teórica Eleonora Fabião com as dançarinas e o diretor e um debate performativo realizado pelos teóricos Flávio Desgranges e Giuliana Simões -  a fim de ampliar os processos de mediação e recepção do público com as montagens. Durante o ano, o projeto também ofereceu 10 oficinas com as dançarinas.

 

5 DANÇAS é um elogio à história da dança em Curitiba, proliferando e gerando movimento em corpos experientes compartilhados com a cidade. Faz agir nas 5 dançarinas, a partir de trajetórias marcadas nos seus corpos e na história, atualizações sobre conhecimento no campo da dança e convida o espectador a viver, de forma multidirecional, um trajeto ampliado de experiências dançadas. 

 

5 DANÇAS foi realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba. Incentivo: EBANX e CELEPAR.

Juntar e misturar - articular e fazer circular - abrir e mostrar novamente. 

Meu trabalho de estreia como diretor e dramaturgo começa pelo amor. Amor como ideia. O amor é e chama ação. Então, antes mesmo de irmos para a sala de ensaio, o projeto já agia pela cidade - pela simples e complexa operação de juntar e articular corpos experientes de 5 dançarinas - nascidas entre 1960 e 1969 - num mesmo circuito energético, em cima do palco.

 

Desde o dia 24 de janeiro de 2022 vivo um programa performativo que se estende até dia 3 de julho de 2022. Este programa acontece na duração e na demora. Convido a cada manhã uma dançarina a viver a integralidade de sua história na dança e a chamar os movimentos atuais. As segundas Mônica Infante, nas terças Cinthia Kunifas, nas quartas Rosemeri Rocha, quintas com Marila Velloso e sextas Cintia Napoli. 

 

Todo mundo fazendo coisas em variações do privado ao público. Lembrar e produzir não esquecimento é assunto destas 5 DANÇAS - que se farão até o terceiro dia de julho de 2022. E assim continuarão em outros chãos. 

 

O texto decorado, lido, gravado. A música para ouvir, cantar e dançar. A ação e leitura  dos gestos, a dança dançada, o trajeto profissional das dançarinas  que está sendo há 40 anos de vida pública - por isso as cavidades, os pés que são mãos, o balanço que o mapeamento corporal cria, os movimentos que já apareceram em uma audição em 1980, a vida e a morte, as rugas e a lisura, uma aula pública, acender, ascender, subir e abrir, uma tomada, a goteira e a tinta são também palavras ditas no palco. Ele, o palco, sempre foi um assunto. Convidamos o proscênio, uma boca de cena, varas, refletores e cortinas para serem agentes num junho e julho de 2022.

 

Cintia, Cinthia, Rose, Marila e Mônica são minhas mestras. Começar pelo amor que tenho por elas e as lançar convites é um percurso que me dá vitalidade com grandes doses  de obsessão. Deixa Curitiba mais irresistível. 

 

Cintia Napoli vive na cena a prática proposta pelo texto que diz em voz alta. Andando na Prancha, de Tim Ingold, foi livremente adaptado por mim e, então, esta adaptação foi novamente adaptada por Cintia. Como fazer as palavras dançarem? Como fazer uma estante de livro com tábuas de madeira? Como dançar de novo Paganini, mesma música de sua primeira audição em 1980, chamando os movimentos atuais? A partir das técnicas e habilidades do balé clássico refazer danças com e para 2022.

 

Cinthia Kunifas vive, junto de seu banco, uma dança energética hiper dilatada. Um grito parado no ar ou o grito mudo da Mãe Coragem, de Brecht, mobilizado por ações de subir mais e além, abrir, acender e ascender. Como erguer e levantar um teatro, como mobilizar e fazer circular ar, som, energia, dança? 

 

Rosemeri Rocha é revelada pela luz e pelo som enquanto pratica, na frente do público, sua própria aula. Realiza movimentos junto com o som e a subida em resistência da luz. Uma metadança compartilhada. Faz dançar cavidades, mapas e bateria. Os corpos que agem em sua peça atuam na direção de fazer brilhar. Um convite para um mergulho interno compartilhado no seu corpo, no corpo do público e no corpo  teatro.

 

Marila Velloso bebe líquidos em copos de cristal - deglute, engole, ingere, toma e traga - faz uma  dança de "tomadas''. Mobiliza fluidos e temperaturas, lida com a duração da ação e com as matérias - dança a dança, dançam copos, dança água, dança cachaça, dança azul -  apresenta um campo interno revelado no externo, brinda ao lado de uma goteira e lê em voz alta uma mulher que conta a história das coisas que guardam coisas. 

 

Mônica Infante revela uma dança autobiográfica guiada pelo seu trabalho energético. Gestos passaportes - gestos que deixaram a dança entrar e ser vida. Gestos que seu corpo guarda. Danças que mobilizam os sons, o ar, os espaços e os tempos; que mobilizam a plateia que é mobilizada por uma história. Auto frequências, fluxos e atualidade estão no jogo da montagem. E aberturas. De uma grande porta, do encontro direto com o espectador, de um futuro.

 

E brindam. Os encontros, a vida viva, as histórias, os encantamentos e esse tempo 2022. Há tantas coisas por fazer…colocar algo no mundo, agora, é muita muita muita muita muita coisa e, isso sim, merece ser brindado com borbulhas. 

 

Encontrar as pessoas que estão nesta mesma trilha de respiração e suspiros amparou o trabalho de forma que não consigo escrever agora, então agradeço: Obrigado especialmente aos amores: dançarinas, Diego, Eleonora, Edith, Beto, Amábilis, Augusto, Elenize e Cindy. 

 

Fernando de Proença

Fernando de Proença é ator, diretor, pesquisador de teatro e jornalista. Trabalha na prática de seu ofício na cena entre performance, dança e teatro há 23 anos. Mestre e doutorando em Teatro pela PPGT/UDESC. No entrecruzamento de linguagens, procura se atentar às ideias que moram no tempo, no corpo, nas vias, nos contextos e na experiência.

 

Sobre 5 Danças 

Sobre um convite afetuoso 

Sobre um processo desconhecido e encantador 

Sobre um incrível diretor 

Sobre mulheres, ídalas, amigas 

 

Falar de 5 Danças é sobretudo falar de infinitos acontecimentos. Tantas sensações que me impactaram, me moveram, me transformaram e também elas próprias se transformaram na ação do processo. O que era medo em mim foi se transformando em vontade de estar corajosa, o que era dúvida deu lugar para a uma crença, a vontade de ser invisível caminhou para um desejo de presença. O nervoso ainda me habita, é verdade, mas agora junto com ele sinto um grande entusiasmo. 

Durante esse processo me senti como se estivesse com uma venda nos olhos, sem parâmetros, sem intimidade alguma com a materialidade proposta. Deparei com o desconhecido que, primeiramente, me desconcertou para depois ir abrindo espaços nunca antes vividos. Fui acometida pelo medo de não ser capaz, por uma grande dúvida do que eu estava fazendo ali. Em muitos momentos me deu uma vontade enorme de fugir rsrsrs. Como estudar? Como memorizar? Como me expressar através das palavras? Palavras essas que foram criadas por Tim Ingold, depois revistas pelo diretor Fernando, pra daí então serem minhas. Uma viagem desafiadora. É isso, fui enormemente desafiada. Mas foi esse sentimento, e muito amor em jogo, que fizeram eu me sentir viva. Muito viva e rejuvenescida. Afinal, se sentir uma iniciante aos 61 anos é um desafio sim, mas é para além disso, é um presente e tanto. Assustador seria se o processo não me causasse espanto, se não me tirasse o sono, se não exigisse de mim uma presença plena.  

E o que dizer de estar novamente em cena? Ah, arrisco dizer que é impulso de morte e vida, não necessariamente nessa ordem. É como se fosse a primeira vez, um espanto, um gozo. Como diz Tim Ingold “[...] é como um suspiro, é uma entrada repentina de ar [...]”. E estar com elas, essas mulheres que em algum momento da vida me mostraram o caminho e como caminhar. 5 Danças é uma coreografia de entrelaçamentos de vidas, de memórias, de encontros. 5 presenças nesse tempo espaço. Estar em cena com elas me faz lembrar o começo, o meio e o agora. É uma pausa repleta de movimento. 

E a pessoa responsável por esse encontro, o incrível diretor Fernando de Proença nos mostrou que com amor quase tudo se torna possível. Lidou com minhas fragilidades como possibilidades, com as minhas falhas como se fossem impulsos preciosos para uma transformação e tudo, simplesmente tudo com muita clareza, rigor, amor, amor e amor.   

Sigo nervosa, trêmula e ansiosa 

Sigo acolhida pelo convite 

Sou grata por tanto amor recebido 

Estou radiante pelos lindos encontros 

Corajosa e entusiasmada 

Movida,

Cintia Napoli

Cintia Napoli - Natural de São Caetano do Sul (SP). Profissional da dança, atua como pesquisadora, bailarina, coreógrafa e diretora. Iniciou seus estudos de dança (1966), em São Paulo e atua profissionalmente desde 1980. Concluiu graduação e especialização em Filosofia. Foi idealizadora e diretora artística do Vila Arte Espaço de Dança (2003 – 2016) onde atuou também como professora de clássico e dança contemporânea e também responsável pela criação do Vilinha – dança pra criança (2012 - 2016). Esteve na direção artística do Balé Teatro Guaíra de 2012 a 2019. Em 2000 fundou a desCompanhia de dança, onde atua como pesquisadora, co-criadora e responsável pela direção artística da Cia.

Vai que um dos começos tenha sido uma oficina que conduzi com o Grupo Obragem em 2009. Ali conheci o Fernando. Depois, em 2018, durante a criação dos “5 planos para construir juntos” – peça de Renata Roel e Fernando com colaboração da Dani Lima e minha –, houve uma residência no Rio. Era a primeira vez que Fernando visitava a cidade. Conversamos sem parar e ele me deu uma samambaia. Entremeando todas essas movidas está a cidade de Curitiba, as ruas do centro, a UFPR, a cena experimental curitibana, tanto acontecimento extraordinário – Couve-Flor, Selvática, CiaSenhas, Silenciosa, quandonde, cia brasileira de teatro, Quatro Ventos, Casa Hoffmann e por aí vai (vai vai vai vai vai). Já faz tempo que a gente vai misturando. As nossas sensibilidades se misturando com tantas mais. Daí ele me convida para participar desse projeto que envolve 5 dançarinas, ex-professoras dele, amigas, gente fundamental na formação de tanta gente na cidade de Curitiba, gente chave na cena artística brasileira, e iniciamos mais essa interlocução. Trabalho tipo trama teia trança. Trabalho tipo tramóia intrépida tântrica. Ao longo dos últimos 5 meses nos encontramos online para sessões de conversa (de três horas “mais ou mais”, nunca foi “mais ou menos”). Nós tudo: textos, conceitos, croquis, músicas, vídeos, fotos, gatos, samambaias, notícias, as nossas casas e vidas, a situação brasileira, tão pesada a nossa situação pré-, durante e pós-quarentena, os diferentes horrores de cada fase e vamos abrindo caminho como quem abre picada no mato e vai. Cada questão é colocada, escutada, conversada, analisada, sentida, tocada, cultivada. Ao longo do processo não tive contato com a Cintia Napoli, a Cinthia Kunifas, a Marila Velloso, a Mônica Infante e a Rosemeri Rocha. Faremos um encontro depois da apresentação do dia 19 de junho com todo o grupo mais o público presente. Estamos chamando esse encontro de “conversa sem fim”. Espero animadamente por esse dia. Vem sendo muito bonito ver a admiração, o respeito e o amor do Fernando pelas cinco. Sentir a peça nascendo, o trabalho crescendo, as matérias tramando. Acompanhar as interações, ou melhor, as intra-ações. Ou ainda, intra-agir com as intra-ações todas. Sabe, são muitos os Brasis sendo feitos neste momento. 2022 é um ano para fazer muitas danças. Para fazermos danças e mudanças e vai vai vai vai vai.

Eleonora Fabião 

Eleonora Fabião é performer e teórica da performance. Realiza ações, exposições, palestras, leciona e publica internacionalmente. Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Comunicação – Graduação em Direção Teatral e Pós-graduação em Artes da Cena. Coordenadora do Curso de Direção Teatral. Doutora e Mestre em Estudos da Performance (New York University) e Mestre em História Social da Cultura (PUC-Rio). Trabalhos recentes incluem: Coisas Que Precisam Ser Feitas (Performa Biennial New York 2015), MOVIMENTO HO (Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica 2016), azul azul azul e azul (Museu Bispo do Rosário 2016), Triptych Miami (Museum of Art and Design MDC 2017), se o título fosse um desenho, seria um quadrado em rotação (Festival de Teatro de Curitiba 2018), LEVANTE (ArtRio 2018), There is a smell of burning in the air–a sci-fi with no-fi (Grace Exhibition Space NY 2020), E L E T R O V E N T O / E L E C T R O W I N D (EAD-USP, UFC, UFSM, UFRJ, Norwegian Theater Academy 2020-21), nós aqui, entre o céu e a terra (34ª Bienal de São Paulo 2021). Em 2015 publica o livro AÇÕES/ACTIONS (Rio de Janeiro: Tamanduá Arte, 2015) com o apoio do Programa Rumos Itaú Cultural. Em 2021 é lançado o livro ARTE_BRA Eleonora Fabião (Rio de Janeiro: Automatica, 2021 - bilíngue port/ingl), disponível em: https://www.colecaoartebra.com/_files/ugd/6e80d1_7b42ba0d718042d183fdcc4b58e7a1cc.pdf Em 2017 concluiu pós-doutorado na NYU. É pesquisadora CNPq-nível 2.

 

O Projeto 5 Danças é uma homenagem; uma reverência à história de vida-arte de cinco dançarinas que insistem em fazer da dança seu modo de existência; uma reverência à história da dança de nossa cidade e de nosso país. 5 Danças faz um convite para deixarmos emergir tudo o que somos (até mesmo aquilo que não sabíamos que ainda poderíamos ser) e ir para o centro da cena. Um susto! Há vinte anos que minha dança tomou outros rumos, outros formatos, distante das paredes dos estúdios e do teatro. Fernando, nosso diretor, lembra-nos que estas danças são feitas de tudo o que somos feitas. “Mas como tanta vida, tanta subjetividade pode caber em cima de um banco?” me questiono. Com amor e rigor, mostra nosso diretor ao lado de sua preciosa equipe de produção. Neste campo seguro e afetivo que vai sendo criado tudo é bem-vindo - emoções, questionamentos, crises - pois há clareza e objetividade na condução. As formas vão se revelando, o espaço começa a ser preenchido de sentidos. “Estas danças são contemporâneas – pertencem ao nosso tempo” diz Fernando. O passado se torna presente atualizado, o presente é o encontro, a investigação, a novidade, a descoberta. “Trata-se de gerar vida. Se não gerar vida não interessa”, anuncia nosso diretor com contundência. 

5 Danças, este ousado projeto será, sem dúvida, um divisor de águas na minha vida. Realização e gratidão são sentimentos que tem acompanhado, lado a lado, esta grande aventura. Desejo que desfrute, quem conosco vier!

 

Cinthia Kunifas 

Curitiba, 15 de maio de 2022.

Cinthia Kuniffas é artista da dança, educadora somática, docente e terapeuta. Mestre em Artes Cênicas pela UFBA e Especialista em Consciência Corporal-Dança pela UNESPAR/FAP. É preparadora corporal de atores e colaboradora da CiaSenhas de Teatro desde 2006. Orientadora de projetos de pesquisa em dança contemporânea, participou do programa da Casa Hoffmann – Centro de Estudos do Movimento. Desenvolveu projetos no Asilo São Vicente de Paulo e Instituto Paranaense dos Cegos. É uma das organizadoras do Conexão Sul – encontro de artistas contemporâneos de Dança da Região Sul - versão Paraná. Desde 2002, com Mônica Infante, desenvolve processos de criação em dança/performance: Corpo Desconhecido, premiado pelo Rumos Dança Itaú Cultural 2003 e Projeto Fenda.

UMA DAS CINCO DANÇAS

Faz parte do projeto intitulado “5 danças", idealizado e dirigido pelo artista Fernando de Proença. Teve início em janeiro de 2022, no meu caso, de modo remoto, pois eu estava tratando o COVID, na cidade de Florianópolis (SC). 

Este projeto tão esperado desde de 2017, é composto por mais quatro companheiras: Cintia Napoli, Cinthia Kunifas, Marila Velloso e Mônica Infante. Com elas dancei, fui aluna, construímos amizades e parcerias na dança e na vida.

O processo artístico iniciou com as investigações a partir de um questionário com perguntas que partiram do ano em que nasci (1967), até o ano onde eu completaria 100 anos. Todas as questões foram respondidas em tempo real, imediato. Tal experiência me fez exercitar minhas memórias, meus sentimentos, minhas emoções, meus pensamentos, meu entendimento da minha própria vida, no trânsito entre passado, presente e futuro (lá e cá).

Esse balanço entre lá e cá me fez focar na presentidade do corpo. Identificando o que ele apresenta em seus aspectos biológicos, emocionais, psicológicos, mentais e seus atravessamentos corpóreos. Com esta experiência, surgiu a questão motivadora: quem sou eu na vida?

Na continuidade do processo, muitos experimentos no corpo, com objetos, estratégias de movimento, espaço, cheiros, textos, falas, reflexões, fotografias da minha história, entre outras mobilizações que instigaram o movimento, a emoção e a presentidade corporalizada a cada encontro.

A criação da cena foi se estabelecendo ao longo dos encontros, com restrições de movimento, espaço e as interferências dramatúrgicas, juntamente nas relações sonoras, de figurino, maquiagem e iluminação.

Uma das danças, a qual eu estou criando juntamente com o Fernando, tem como impacto, enquanto criadora e intérprete, alterações em algumas frentes. Enfatizo a direção do Fernando foi essencial para a construção deste solo. A sua escuta, sutileza no modo de conduzir o processo. Com a sua firmeza e a clareza nas propostas elencadas para cada encontro. O diálogo faz parte da organização das ideias, construindo uma relação de trocas e saberes entre ele e eu, resultando uma criação com tom colaborativo. Onde as relações se cruzam, se atravessam e se ramificam, possibilitando a expansão de processo relacional, o que me interessa enquanto artista, pesquisadora e docente.

O processo corporaliza-se enquanto vivência nos encontros cênicos, no envolvimento com a produção do projeto. 

Este processo está sendo um belo aprendizado, me sinto cuidada e apta a mostrar uma dança que estava inclusa entre as minhas fissuras.

Agradeço, Rosemeri Rocha

Rosemeri Rocha é artista/professora/pesquisadora interessada em processos investigativos e perceptivos do corpo nos processos de criação em arte. Doutora e Mestre em Artes Cênicas-UFBA. Especialista em Dança-FAP. Possui Graduação e Licenciatura em Dança-PUC/PR. Docente do colegiado do curso de Licenciatura e Bacharelado em Dança desde 1996- UNESPAR/FAP. Atua como diretora do Centro de Artes e faz parte do colegiado do Mestrado Profissional em Artes. Coordena Projeto de Extensão: UM - Núcleo de Pesquisa Artística em Dança da UNESPAR

 

5 Danças

 

Eu não sei ao certo onde, no meu percurso das danças todas, garanti esse presente que recebo de braços abertos e muito agradecida, feito pelo Fer, de estar e dançar a peça 5 DANÇAS. Caberia aqui um emoji daqueles que a mão fica no queixo pensativa.

Fernando de Proença é companheiro de longa data: das ideias de criação, dos pré-projetos de solos tanto meu quanto dele, das trocas afetivas e políticas, especialmente de ordem artística quando se está incubando um Projeto. Um Projeto desses que um dia se materializa, independente dos anos de trabalho e de espera para que se possa produzi-lo. Eu valido muito as pessoas e artistas que criam os espaços todos para se produzir arte e é por isso, que Diego Marchioro é outro nome junto a Fernando de Proença a se celebrar e agradecer.

Para estar na cena, então, é mesmo um privilégio que se encaixou logo após a parte mais estrondosa dessa crise pandêmica. Imagine vocês, ter um convite para dançar ao final de 2021... não precisa muita imaginação, sim? Mas imagine, ainda, alguns outros detalhes: a materialização de um projeto incubado há anos e que ao final de 2021 passa a ser produzido; um projeto com essa ideia fantástica do Fernando de Proença, de reunir no mesmo palco (PALCO/TEATRO) 5 dançarinas da mesma geração que atuam a partir de Curitiba, capital do Sul do Brasil, na qual criamos nossos filhos/as e construímos nossa carreira artística na área da Dança, sem grandes “repercussões internacionais”. Não sei vocês, mas eu sempre penso na dimensão e difusão de certas ideias de reconhecimento e repercussão por certas noções equivocadas de importância. Enfim, a ideia desse dramaturgo redimensiona perspectivas a partir do contexto de existência de nossas danças.

Participo então, banhada em gratitude por estar viva para participar, pelo convite para criar e ser conduzida num processo de criação que Fernando já chegou emanado de coerências maravilhosas pois amo ser dirigida, conduzida por um processo; por ser dirigida pela delicadeza, firmeza, inteligência, conhecimento e segurança de Fernando; por ser tratada como uma dançarina profissional com mais de 40 anos de atuação; por ter me sido oferecida ações que colocam a marila até por mim conhecida (das marilas desconhecidas), em estado de graça e reflexão profunda do que essas ações são para a corpa e dança de hoje, aqui.

Essas ações são grandes presentes para mim e isso em si já é tudo. Tivemos tempo de digerir detalhes e questionar coerências, de ações que trago desde a infância e que foram incrementadas ao longo dos meus 55 anos, por meio de livros e leituras, então foi um achado que Fernando me trouxe logo no 1º ensaio, esse presente de fazer algo tão próximo.

Há ações mais desafiadoras, abertas à discussão por existirem nas nossas práticas e também à sombra das nossas culturas, óbvias e comuns ao mesmo tempo, íntimas, como se existissem e inexistissem. Há uma ação que se aproxima de questões que trago nas minhas últimas peças de dança, sobre o que é desimportante do importante, o que é trivial do não trivial; o que vem colado com tantos diferentes simbólicos e ideologias díspares entre si e sobre deslocar sentidos; o que gera riscos.  

Ando e sou cheia e também vazia. Porque 5 PEÇAS pode manter ou nos levar a mudar. Criar é compor e mesmo partindo das limitações todas, a liberdade está para ser exercitada dentro dos muros imensos construídos a sua volta ou por dentro de cada um de nós e mesmo dos sentidos da audiência. Tudo isso faz as peças artísticas acontecerem.

A maturidade de conversar sobre questões tão importantes e profundas, que interligam vida e arte a corpos, artistas e percursos profissionais da dança curitibana, estes imersos em contextos importantes e turbulentos da atualidade, nos tem alimentado de amor e de prudência, de ativismos e de políticas humanas. Seja qual for a escolha a cada dia de cena ou para uma outra temporada, saiba-se, que os direcionamentos são realizados por um dramaturgo e diretor que me alça a uma nova etapa de meu percurso como mulher artista.

 

Marila Velloso

Curitiba, 29 de maio de 2022.

Marila Velloso é artista da dança, produtora, professora e pesquisadora. Como profissional na área iniciou com DRT de dançarina, aos 14 anos, depois adicionando as funções de coreógrafa e produtora. Doutora em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (2011); Mestre em Comunicação e Semiótica/PUC-SP (2005); Especialista em Consciência Corporal/Dança/Faculdade de Artes do Paraná; Licenciada e Bacharel em Dança/PUC-PR (1990); Professora, Practitioner e Educadora do Movimento Somático pela Body-Mind Centering®. Professora do Mestrado Profissional em Artes e nos Cursos de Bacharelado e Licenciatura em Dança da UNESPAR. Ministra cursos de dança há mais de 30 anos relacionados a tecnica, criação, improvisação, políticas culturais entre outros e para diferentes públicos. Como gestora, foi: Coordenadora de Dança na Fundação Cultural de Curitiba, Diretora Artística do Teatro Guaíra e como Presidenta, Vice-presidenta e Ex-officio na Associação internacional de Body-Mind Centering®/BMCA. Criações artísticas: Preset (2018); para mi padre e madonna (2015); Entreterritórios (2008/2009); O Palácio do Príncipe Dragão (coreografia para a Escola de Danças da Teatro Guaíra), entre inúmeras outras peças de dança e de teatro (junto a Obragem Cia de Teatro) nas quais participou em funções variadas.

 

DEDICAR

                      REVERENCIAR 

                                                         CONVIDAR

                                                                                           CELEBRAR

DEDICAR

Essa Dança vem de vocês!

Corpos que partiram. Mortes avassaladoras.

2014 - meu pai, Helion Gonçalves da Silva

2015 - minha cuidadora, Ana Maria Salvador

2016 - minha mãe, Denise Infante Gonçalves da Silva

2017 - meu sensei de KI Aikido, José Lima dos Santos

2021 - meu primeiro amor, Maurício Infante Rosa Damasceno  

 

REVERENCIAR

Essa Dança é para vocês!

Marco Aurélio Infante Gonçalves da Silva, meu único irmão e que me viu nascer.

Sofia de Oliveira Fernandes, minha irmã de coração, amiga de uma vida inteira.

Vocês dois são os espectadores mais fiéis e presentes dessa Dança desde 1976 em Juiz de Fora-MG , e aqui estão mais uma vez!

Rocio Infante, obrigada pela Tempo Companhia de Dança (1990 - 1996).

Laura Miranda, minha parceira de vida e arte desde 1990.   

Cinthia Kunifas, minha parceira de criação em dança e de movimentos de vida desde 2002.

Vicente Ryuki Infante Gonçalves Sagae, meu filho, o amor da minha vida! Sem a sua presença tudo teria sido muito mais difícil.

 

CONVIDAR

Essa Dança é com vocês!

Venham dançar comigo! 

Obrigada a cada um de VOCÊS por terem dito SIM a este convite. 

O SIM dado por meus mestres e minhas mestras, por meus preciosos alunos e minhas valiosas alunas, por meus amigos e minhas amigas; VOCÊS sabem quem são e VOCÊS  salvaram a minha vida.

 

CELEBRAR

Essa Dança é nossa!

Parcerias!! É essa a vida que pulsa em mim. Meu corpo move em sintonia com as parcerias.

5 DANÇAS - Cintia, Cinthia, Rose, Marila e Edith.

Salve o nosso sublime diretor do amor, Fernando de Proença!

UM BRINDE A VIDA!!

Mônica Gonçalves da Silva Vieira de Campos Tolentino Pinto Tostes Henriques de Lima Bianco Rezzi Infante.

Mônica Infante é artista, professora e terapeuta. Graduada em Dança pela Middlesex University - Londres, Inglaterra (1985- 1989) com revalidação no Brasil pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp (2003-2004). Orientadora de projetos de pesquisa em dança contemporânea - Casa Hoffmann -centro de estudos do movimento. Articuladora/organizadora do Conexão Sul – Encontro de Artistas Contemporâneos de Dança da Região Sul. Fundadora do Centro de Desenvolvimento de KI – CDKI onde ministra aulas de KI Aikidô (3º grau faixa preta) e de Aiki e Consciência Corporal a partir dos princípios da Técnica Alexander. Formada pelo método Somatich Experiencing ®. Atualmente realiza projetos e ações performativas no campo da criação entre arte e clínica.

 
 
Cintia Napoli. Foto Elenize Dezgeniski
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Cintia Napoli. Foto Elenize Dezgeniski
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Mônica Infante. Foto: Elenize Dezgeniski
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Cintia Napoli. Foto Elenize Dezgeniski
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Cintia Napoli. Foto Elenize Dezgeniski
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Cintia Napoli. Foto Elenize Dezgeniski
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Mônica Infante. Foto Elenize Dezgeniski
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Cintia Napoli. Foto Elenize Dezgeniski
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